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 O xintoismo

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MensagemAssunto: O xintoismo   Sab Jun 11, 2011 10:24 am

Xintoismo


Xintoísmo (em japonês: 神道, transl. Shintō) é o nome dado à espiritualidade tradicional do Japão e dos japoneses, considerado também uma religião pelos estudiosos ocidentais. A palavra Shinto ("Caminho dos Deuses") foi adotada do chinês escrito (神道)através da combinação de dois kanjis: "shin" (em japonês: 神), que significa "deuses" ou "espíritos" (originalmente da palavra chinesa shen); e "tō" (em japonês: 道), ou "do", que significa "estudo" ou "caminho filosófico" (originalmente da palavra chinesa tao). Os termos yamato-kotoba (大和言葉) e Kami no michi costumam ser usados de maneira semelhante, e apresentam significados similares.O xintoísmo incorpora práticas espirituais derivadas de diversas tradições pré-históricas japonesas, locais e regionais, porém não surgiu como instituição religiosa formalmente centralizada até a chegada do budismo, confucionismo e daoísmo no país, a partir do século VI


O xintoísmo caracteriza-se pelo culto à natureza, aos ancestrais, pelo seu politeísmo e animismo, com uma forte ênfase na pureza espiritual, e que tem como uma de suas práticas honrar e celebrar a existência de Kami (em japonês: 神), que pode ser definido como "espírito", "essência" ou "divindades", e é associado com múltiplos formatos compreendidos pelos fieis; em alguns casos apresentam uma forma humana, em outros animística, e em outros é associado com forças mais abstratas, "naturais", do mundo (montanhas, rios, relâmpago, vento, ondas, árvores, rochas). Considerado como consistindo de energias e elementos "sagrados", o Kami e as pessoas não são separados, mas existem num mesmo mundo e partilham de sua complexidade interrelacionada. O xintoísmo moderno apresenta uma autoridade teológica central, porém não tem uma teocracia única. Consiste, atualmente, de uma associação inclusiva de santuários locais, regionais e nacionais de variada significância, em importância e história, que exprimem suas diversas crenças através de práticas e idiomas semelhantes, adotando um estilo semelhante no vestuário, arquitetura e ritual, que data dos períodos Nara(710 a 794 d.C) e Heian(794 e 1185 d.C).

O xintoísmo tem atualmente cerca de 119 milhões de seguidores no Japão,embora qualquer pessoa que pratique algum tipo de ritual xintoísta seja contado como tal. Geralmente aceita-se que a ampla maioria do povo japonês participe de algum tipo de ritual xintoísta, ao mesmo tempo em que a maior parte também pratica o culto budista aos ancestrais. No entanto, ao contrário de muitas das práticas religiosas monoteístas, o xintoísmo e o budismo tipicamente não exigem daqueles que os professam que sejam crentes ou praticantes, o que torna difícil contabilizar cifras exatas com base na auto-identificação com alguma crença, entre os habitantes do país. Devido à natureza sincrética das duas religiões, a maior parte dos eventos relacionadas à "vida" ficam a cargo dos rituais xintoístas, enquanto os eventos relacionados à "morte" ou à "vida após a morte" ficam a cargo dos rituais budistas (embora isto não seja uma regra); assim, é costumeiro, por exemplo, no Japão, registrar uma criança ou celebrar seu nascimento num santuário xintoísta, enquanto os preparativos para um funeral costumam ser ditados pela tradição budista.


Santuário Heian, templo xintoísta, em Quioto, no Japão, erguido em 1895.

O xintoísmo não possui um livro sagrado, como a Bíblia ou o Alcorão. Há no entanto um conjunto de textos sobre os ensinamentos da religião que recebem o nome de Shinten, "escrituras sagradas", mas não são considerados textos revelados ou de carácter sobrenatural.

Kojiki ("Anais das coisas antigas"): datado de 712, é o texto sagrado mais antigo, sendo composto por três volumes.
Nihonshoki ("Crônicas do Japão"): foi redigido em 720 em chinês em 30 volumes. Também conhecido como Nihongi.
Kogo-shui: compilação das tradições do clã dos Imbe, uma família que junto com a família dos Nakatomi era responsável pelos ritos. A sua redacção foi concluída em 807.

Estes livros apresentam as narrativas míticas da tradição xintoísta. Os mitos descritos referem-se a um caos primordial em que os elementos se mesclam em massa amorfa e indistinta, "como num ovo". Os deuses surgiram desse caos.

Kami

O xintoísmo baseia-se no culto aos kami (神). Esta palavra é frequentemente traduzida por "deus" ou "divindade", o que não traduz completamente o conceito, dado que os kami pode ser também forças vitais ou espíritos da natureza. Ao contrário dos deuses das outras religiões, os kami não são onipotentes ou oniscientes, possuindo poderes limitados. Nem todos kami são bons. Alguns kami são locais ou conhecidos como espíritos de um local em particular ou a lugares (montanhas, ervas, árvores, vales, rios, mares, encruzilhadas. Outros representam elementos ou processos da natureza, como por exemplo, Amaterasu, a deusa do Sol, Tsukiyomi, deus da lua, Susanoo, deus da tempestade.

Existem kami ligados a fenómenos meteorológicos (chuva, vento (Fujin), trovão...), e kamis associados à vida humana (vestuário, transportes, ofícios, etc.). Incluem-se ainda no conceito de kami os espíritos de homens notáveis, como de certos guerreiros. Os espíritos dos antepassados também são considerados deuses tutelares da família ou do país, motivo pelo qual os ritos fúnebres possuem grande relevo.

Os textos xintoístas referem-se a "oitocentas miríades" de kami (yaoyorozu no kami); este número não deve ser interpretado literalmente, pretendendo-se apenas transmitir a noção de que existem inúmeros kami. Os kami não são perceptíveis pelo ser humano.

Podem ser divididos em dois tipos: os que habitam no céu (amatsukami) e os que habitam na terra (kunitsukami). Os primeiros trazem à terra influências positivas, enquanto que os segundos mantêm-na como ela.

O kami mais eminente é a deusa-sol Amaterasu O-mikami, antepassada da família real japonesa. O seu santuário principal é o Grande Santuário de Ise.


Amaterasu, deusa do Sol, ancestral dos
imperadores japoneses

Cosmologia xintoísta

Em relação à estrutura do mundo, existem duas concepções diferentes, que se cruzam e se tomam muitas vezes em paralelo, sem se contradizerem, pois representam duas perspectivas diferentes e complementares.

A primeira delas é vertical e fala de três mundos distintos: a “Alta Planície Celeste”, morada dos kami do céu, de onde eles descem, para dar paz, ordem e felicidade. É um mundo descrito como reflexo do mundo dos humanos, uma espécie de Japão plenamente belo e perfeito; segue-se o “País do Meio da Planície dos Canaviais”, morada dos homens, onde os kami desceram; por último, o chamado “País de Yomi”, subterrâneo, moradia dos mortos, terra de máculas e de pecados, onde habitam os espíritos malignos que influenciam o homem para o mal. Esta tradição é a principal da mitologia xintoísta e reflecte os meios aristocráticos.

A segunda concepção é horizontal, e coloca lado a lado o “País do Meio” e o chamado “País dos Mortos” que, ao contrário do que o nome indica, é uma terra de delícias, situada para além dos mares, onde habitam os espíritos purificados dos antepassados, que visitam este mundo, trazendo felicidade e protecção aos viventes. Esta concepção é de cariz mais popular. Há que notar, mais uma vez, que o Xintoísmo atribui a importância fundamental a este mundo. De facto, tanto kami como antepassados, embora habitem noutros planos, conservam estreitas relações com o mundo dos humanos.

É claro que estas concepções devem ser lidas, não de modo físico, sob o qual se tornariam ultrapassadas, mas de modo metafísico, como na religião cristã.


Monte Fuji, no Japão: local considerado sagrado para os seguidores do xintoísmo

A natureza

Há que reconhecer que o homem vive graças à natureza, a tudo quanto ela lhe fornece, pelo que a sua atitude deve ser de profunda gratidão e reverência. Mesmo quando a natureza se desenfreia, o ser humano é forçado a reconhecer que muito maiores são os benefícios que dela recebe. O homem, apesar de todo o seu avanço tecnológico, não possui poder pleno, e deve reconhecer a sua humildade, num espírito de coexistência pacífica.

Há inúmeras divindades ligadas a elementos naturais, o que atesta que tudo é governado pelos kami. Logo, a natureza reveste um carácter sagrado, regendo-se por uma vontade e sensibilidade próprias, por uma espiritualidade misteriosa, mais do que propriamente por leis naturais.

Sendo que toda a natureza descende de "kamis" assim como a humanidade, fica claro que tudo está interligado tendo como origem em comum um ancestral divino. Assim sendo o ser humano e a natureza, seus elementos, minerais, vegetais e animais, são parentes.

A vida dessassociada da natureza é incompatível com o Xintô, o ser humano não deve combatê-la ou transformá-la sem necessidade vital. É comum aos praticantes xintoístas o retiro para ambientes onde possam promover a integração com a natureza, uma forma de purificação, elevação espiritu

al, e oportunidade para reflexão e meditação.

Como já foi dito na introdução, o Xintô e a própria cultura japonesa pregam que sendo a natureza sagrada, sua destruição é indesejável, e não existe o sentimento de hostilidade inerente recíproca imperante no ocidente.

Outra prática bastante disseminada é a deificação de determinados elementos naturais em especial. Como por exemplo a árvore que representa um família ou um rocha que ocupa lugar de destaque em determinada cidade. Principalmente na antiguidade, era tradicional em muitas aldeias a veneração de algum "ícone" que representasse bem seu povoado ou dinastia.

O comportamento xintoísta é tão avesso a interferência no cenário natural, para ele é sagrado e perfeito, que qualquer atividade que implique em utilização ostensiva dos recursos naturais deve ser recompensada no mínimo com a construção de um templo dedicado a natureza.

As Montanhas

As montanhas no Japão são muito numerosas e estão envolvidas nos aspectos da vida diária, é delas que brotam os rios, e são consideradas sagradas. Não são kami em si, mas sim moradias de kami. O território montanhoso é tão respeitado que mesmo hoje em dia, o alpinismo não é uma atividade muito difundida pelo povo japonês, e isso num país onde é difícil ver todo um horizonte livre da presença de montanhas.

É muito comum a construção de templos nessas regiões, assim como cerimônias de deificação e requisição de boas colheitas à "deusa do arrozal" que vive nas montanhas. Nas lendas japonesas as montanhas ocupam lugar de destaque na associação com grandes desafios, buscas e peregrinações.

Moral do Xintoísmo

Como vimos, o homem é considerado como naturalmente bom e puro, participante da natureza dos kami, e que o pecado e a impureza se devem a influências malignas dos espíritos habitantes do mundo inferior. Por isso, o homem recebe directamente dos kami uma componente natural, um ideal celeste a ser realizado nesta vida, modelo de vivência dado e aceite como meta, e que representa a ligação da vida humana à vida divina. Este é o maior conceito moral do Xintoísmo, o chamado michi, termo que significa “caminho”. Trata-se de um ideal de justiça e de carácter, de que ninguém se deve afastar, elemento básico da vida xintoísta e do próprio culto. O michi, obediência ao curso da natureza, reveste-se duma extrema simplicidade e naturalidade.

Para o Xintoísmo, a vida só alcança o seu sentido e a sua finalidade se for vivida na pureza, que é o seu estado natural. A vida que não leva isto em conta é radicalmente antixintoísta e não agrada aos kami que, desgostosos, podem mandar vários tipos de desgraças para avisar o pecador, e até mesmo castigá-lo. Procura-se esse ideal de pureza, tanto corporal como mental e espiritual, que leva o homem à sua plenitude. Embora o homem não possa controlar tudo o que acontece e pode danificar a sua pureza, tem a responsabilidade de procurar viver uma vida autenticamente xintoísta, recta, clara e honesta, segundo a vontade dos kami.

Vítima de forças que lhe escapam, o homem corrompido é alguém que deixou de pertencer, durante algum tempo, ao mundo da bondade e da felicidade, possuindo, porém, o direito de voltar a ele. Por isso, o pecado e a falta moral, embora reconhecidos, revestem um carácter diferente do que têm para os ocidentais.

Aquilo que pode danificar a pureza pode ser de carácter voluntário ou involuntário. As faltas voluntárias são verdadeiros pecados, da responsabilidade daquele que os pratica, e denominam-se tsumi. As faltas involuntárias não fazem, obviamente, a pessoa incorrer em igual responsabilidade, embora ela possa ter contribuído para a situação, devido à sua má conduta ou imprudência. Incluem-se neste grupo as calamidades ou desgraças (wazawai) e as manchas, impurezas (kegari), adquiridas por contactos com elementos como a cadáver, o sangue, as relações carnais, etc. Estes males, como vimos, têm origem no mundo inferior, que envia as calamidades e impurezas e incita aos crimes. Para afastar a sua nefasta influência, realizam-se vários tipos de exorcismos.

Isto, que parece uma confusão entre mal moral e acontecimentos fortuitos, tem a sua justificação no preceito fundamental da pureza que, para muitos pensadores xintoístas, se sobrepõe aos ritos e ao culto.

Tudo isto é a concepção geral acerca da moralidade. No que se refere ao concreto, as concepções morais rigidos do Xintoísmo apresentam bastante pobreza, pois não se encontram códigos morais definidos propriamente ditos, como existem noutras religiões orientais, como o confucionismo, por exemplo. O michi apresenta-se como algo extremamente vago e simples, o que pode levar a pensar que o Xintoísmo rejeita propositadamente qualquer tipo de regras concretas de moral.

Mas, a este respeito, um grande teólogo xintoísta, Motoori (1730-1801), apresenta uma teoria interessante. Diz ele que os homens foram naturalmente dotados pelos kami de conhecimento do que devem ou não fazer, pelo que não precisam de códigos morais. Se necessitassem de tal coisa, seriam inferiores aos animais que, embora em grau inferior, sabem como devem proceder. A ausência deliberada dum código moral no Xintoísmo é, para Motoori, motivo de orgulho, pois significa que aos japoneses basta-lhes seguirem a moral do coração e do espírito puro, neles inscrita pelos kami. Os chineses e outros, por exemplo, com as suas abundantes teorias morais, só mostravam que eram, na verdade, pessoas perversas e depravadas.

Culto
Finalidade do culto xintoísta

As práticas do Xintoísmo têm a finalidade de se dirigirem aos kami, para que escutem a oração dos fiéis. As orações podem ter diversos sentidos: pedidos, muitas vezes relacionados com a vida do dia-a-dia ou com alguma ocasião importante; acções de graças, por um benefício concedido, uma meta atingida, um obstáculo ultrapassado; promessas de acção futura em favor dos homens e da sociedade; tentativas de aplacar a fúria dos kami, irritados por alguma coisa; ou, muito simplesmente, para os louvar, rendendo-lhes homenagem sincera, sem esperar propriamente nada de especial em troca.

Através de vários elementos, os fiéis podem estabelecer relação com os kami, relação muitas vezes de carácter filial, em que uma divindade é tutelar de dada região ou localidade. Os “paroquianos” estabelecem especial ligação com esse kami, que os atende e protege, nos mais variados acontecimentos da sua vida.
Organização sacerdotal

Os santuários têm ao seu serviço um número variável de sacerdotes, que neles oficiam de vários modos. São designados pelo termo kannushi, que significa “pessoa que pertence ao kami”, ou então pelo termo chinês shinkoki, “pessoa cuja profissão é servir a divindade”.

A sua principal função é a de servir e adorar os kami e servir como um elo entre eles e os crentes através da execução dos ritos nos santuários, visando assegurar a proteção do povo japonês e do imperador.

Não costumam falar em público, tendo sido mesmo proibidos disso em 1885, no contexto do Xintoísmo de Estado. Hoje em dia, porém, os sacerdotes pregadores começam a ser apreciados. Não são considerados como chefes ou guias espirituais, mas somente como oficiantes de atos de culto, a pedido dos fiéis e em seu benefício.

O sacerdócio xintoísta é aberto às mulheres. As sacerdotisas têm mesmo tendência a aumentar, encontrando-se algumas à frente de grandes templos. O sacerdócio feminino desenvolveu-se no Japão após a Segunda Guerra Mundial. Para além de sacerdotisas, as mulheres podem ainda ser mikos. Uma miko é uma virgem que leva uma vida monástica, ajudando os sacerdotes a executar os ritos nos templos e executando as danças sagradas. Exercem estas funções durante cinco a dez anos.

Os sacerdotes repartem-se por várias categorias. A mais elevada é a de

Princesa consagrada ao kami, uma princesa virgem da família imperial. Atualmente, só existe uma, no santuário de Ise. Em seguida, temos o Grande Sacerdote, à frente de cada santuário, e depois o restante clero, que se reparte por funções diferenciadas.

Hoje em dia, verifica-se uma nova preocupação em revitalizar o Xintoísmo e os santuários, buscando novas tendências, pelo que se tem agora grande cuidado com a preparação intelectual e teológica dos candidatos a sacerdotes. Os regulamentos atuais prevêem vários diplomas possíveis, dos quais pelo menos um é exigido aos sacerdotes, que apenas o obtêm após vários anos de estudo em universidades ou institutos especiais. Hoje em dia a formação de um sacerdote xintoísta é garantida pela frequência de um curso na Universidade de Kokugakuim ou da Universidade de Kogakkan.

Os sacerdotes, uma vez consagrados, mantêm as suas funções habitualmente toda a vida, mesmo não sendo obrigados a exercê-las. Moram fora do santuário, com exceção do Grande Sacerdote. Os sacerdotes xintoístas não são obrigados a levar uma vida de castidade, podendo casar e fundar uma família, o que geralmente fazem.

As vestes sacerdotais apresentam grande beleza artística, de raízes nos séculos passados, mas só são utilizadas nos santuários e em ocasiões especiais na rua. A indumentária para o culto fica completa com um toucado especial e sapatos próprios. Sobre a testa de um "Yamabushi", coloca-se uma pequena caixa preta chamada "tokin", que é amarrada à sua cabeça com um cordão preto. Durante as cerimónias, os sacerdotes costumam trazer também uma espécie de ceptro de madeira, que tem um significado purificador, mas sobre o qual não recai qualquer tipo de veneração.

Fora das funções rituais, os sacerdotes não usam qualquer tipo de sinal exterior, que os distinga dos leigos.

Os santuários

Os santuários xintoístas espalham-se por todo o Japão, constituindo lugares privilegiados de culto. Mas, embora surjam por todo o lado, têm geralmente alguma razão especial para existir: um fenómeno natural, um acontecimento histórico ou mítico, a simples devoção pessoal ou o patronato político. Também os há motivados por revelações em sonhos, ou porque simplesmente era necessário um lugar de culto naquele local.

Quando o local de construção de um novo santuário é escolhido, põe-se em prática uma série de ritos, destinados a purificar o lugar e a invocar a presença do kami, para que se digne vir habitar naquele sítio. Se mais tarde for decidido deixar aquele santuário ou mudá-lo para outro lugar, existem os ritos inversos, pelos quais se convida delicadamente o kami a retirar-se.

O santuário encontra-se na base do Xintoísmo. É nesse local que a divindade habita e que escuta os seus fiéis, e é também centro de ligação da comunidade e de partilha de identidade. Neste contexto, podem distinguir-se três grandes tipos de santuários, conforme a abrangência que possuem:

os de dimensão local, centros de partilha de uma comunidade reduzida, onde se venera o kami da localidade. Este tipo de santuário congrega em torno de si as pessoas da aldeia, que sentem uma filiação comum em relação à divindade. O santuário aparece como local de estreitamento de relações entre kami e paroquianos.

santuários de tipo particular, mais abrangentes, procurados por motivos concretos e determinados, como o êxito nos negócios ou nos estudos, ou outro tipo de protecção especial. Este género de santuários encontra-se por todo o Japão.

por último, os grandes santuários nacionais, destino de peregrinação de milhões de pessoas, todos os anos, dos quais o mais importante é o de Ise, já referido, em honra da deusa Amaterasu, e que está directamente ligado à casa imperial.

Além destes, há ainda templos dedicados a kami de guerra, a valores marciais ou em honra de pessoas notáveis, a quem se pedem favores específicos.

O santuário é entendido como um local onde as pessoas se vêm “refrescar” espiritualmente. Neles, está-se em profunda comunhão com a natureza, que abre o homem a uma espiritualidade plena e à identificação pessoal com os kami.

Os templos xintoístas podem assumir as mais diversas formas e tamanhos, mas apresentam certos aspectos em comum. Todos eles são constituídos por um edifício, ou um conjunto deles, inseridos num espaço envolvente, rodeados pela natureza. Têm particular importância as árvores, principalmente a árvore sagrada, sakaki, utilizada em muitos dos rituais.

O espaço em volta do edifício principal é por vezes muito extenso, e apresenta-se dividido em várias partes. Ao longo do caminho, que nunca é em linha recta, encontra-se uma série de diferentes elementos separadores, que marcam também etapas duma caminhada espiritual. São eles:

os torii, muito característicos dos templos japoneses, que são uma espécie de portais sem porta, constituídos por dois postes verticais e duas traves horizontais. Aparece um de imediato no início do caminho e depois geralmente mais dois, ou mesmo uma grande fila deles. A série de torii repete-se para cada via de acesso ao santuário;

pontes, por vezes várias, até se chegar ao templo algumas monumentais e muito elaboradas. A água é um elemento purificador, pelo que os cursos de água debaixo das pontes constituem uma eficaz barreira contra toda a impureza;

barreiras e paliçadas, com portas, que simbolizam a entrada no local sagrado, reservado ao homem puro.

Encontram-se também jardins, lagos, lanternas. Ainda antes de se chegar ao edifício principal, depara-se um tanque de água limpa, geralmente abrigado por um alpendre, no qual os fiéis se lavam, purificando-se de todas as impurezas e pecados, servindo-se, para isso, dumas colheres compridas de bambu, para tirar a água.

É costume também, em ocasiões solenes, libertar aves, peixes e outros animais.

Chegamos, finalmente, ao edifício do templo. Pode haver vários, num mesmo santuário, dirigidos a diferentes kami. Têm geralmente dimensões modestas, não obstante a grande diversidade de tamanhos. São constituídos por três secções:

uma sala de orações (Haiden) para os fiéis, onde eles dirigem as suas preces ao kami. À entrada está uma grande caixa de madeira, para depositar moedas, e um sino, ligado a uma corda, que serve para advertir o kami da presença do fiel;

uma sala de oferendas, reservada aos sacerdotes (Heiden);

uma sala mais pequena (Honden), nunca visitada, considerada a morada física do kami, e onde podem estar depositados objectos simbólicos, como espelhos, jóias ou espadas, invólucros onde reside o espírito da divindade. O espelho, particularmente, é considerado morada privilegiada do espírito divino, e tem origem muito antiga, sendo já mencionado na mitologia japonesa.

Alguns templos prevêem nos seus estatutos serem totalmente reconstruídos periodicamente. É o caso do templo de Ise, reconstruído de vinte em vinte anos. Essa ocasião é rodeada de ritos próprios, para convidar o kami a mudar de residência. Embora reconstruídos, os templos mantêm o estilo do anterior, pelo que os novos não diferem dos antigos e originais.

Alguns santuários possuem também uma espécie de museu, não raras vezes repleto de peças de grande valor, consideradas espólio da divindade.

Os ritos exercidos nos santuários, apesar de muito diversos, apresentam o seguinte esquema: o sacerdote, depois de purificado, invoca o kami. Faz ofertas propiciatórias, de bebidas e alimentos, a que se segue a oferta de jogos, danças e representações, para entreter a divindade. No fim, o kami é convidado a retirar-se, seguindo-se uma refeição fraterna.
Festas

A religião xintoísta comemora um grande número de festas, com uma grande variedade de costumes e de motivos para celebrar. Não raramente, verifica-se um grande intercâmbio entre religião e estado civil: várias festividades xintoístas são feitas feriados, e vice-versa. As festas dividem-se em dois grupos: as comunitárias, respeitantes à população em geral, e as particulares, de âmbito mais pessoal e familiar.

Diversos tipos de ritos festivos são celebrados nos santuários. Cotidianamente, fazem-se cerimónias de oferendas, de manhã. No primeiro dia de cada mês também há ritos próprios. Estes são ritos de dimensão modesta.
Reisai

Cada santuário, uma ou duas vezes por ano, celebra uma data festiva, relacionada com o kami ou com o seu templo. O dia em que é celebrada a festa pode ter múltiplos significados: pode corresponder ao dia de fundação do santuário, a um dia importante na sua história ou ser um dia associado à divindade do santuário.

Durante estas festas ocorre geralmente uma procissão dos kami, razão pela qual as festas são também chamadas de shinkó-sai ("Festa da Procissão dos Deuses") ou togyo-sai ("Festa da Augusta Travessia"). Os kami são instalados num carro (hóren) ou num palanquim (mikoshi) e são passeados pela aldeia ou cidade.

Junta-se muita gente, que agita ramos de árvore e estandartes, fazendo daquele acontecimento algo muito colorido e vistoso. Estabelecem-se locais de paragem, para o kami descansar. A finalidade deste acto é simplesmente entreter e divertir a divindade, pedindo-lhe, ao mesmo tempo, que continue a dispensar a sua protecção. Estas festas são também ocasião para jogos, artes e danças, tendo especial significado para o estreitamento de laços entre kami e paroquianos, e destes entre si.
Festas da Primavera
São várias as festas da Primavera (haru matsuri). No dia 17 de Fevereiro desenrola-se a festa Toshigoi-matsuri no palácio imperial e em todos os santuários do Japão, durante a qual é feita uma prece que solicita boas colheitas e a prosperidade do país.
Festas do Verão

Estas festas (natsu matsuri) são essencialmente urbanas e tem como principal objectivo afastar as calamidades.

Uma das festas de Verão mais conhecidas é a festa de Gion que se desenrola no santuário Yasaka em Quioto no mês de Julho e que inclui uma marcha com carros ricamente decorados. Segundo a tradição esta festa teria surgido no começo da época Heian, num tempo marcado por grande número de epidemias; para afastá-las os demónios aos quais se atribuíam estas doenças realizavam-se orações.
Outra importante festa é a do Rei Celeste (Tennó-matsuri) que tem lugar no santuário Tsushima situado na cidade com o mesmo nome (em Aichi). Na véspera da festa ocorre uma cerimónia na qual todas as impurezas são colocadas em canas que são largadas no rio. No dia da festa vários barcos, decorados com lanternas, deslizam pelo rio Tenno ao som de música e à luz de fogos-de-artifício.
Festas do Outono

As festas do Outono (aki matsuri) servem para agradecer às divindades pela existência de uma colheita abundante.

No santuário de Ise, a 17 de Outubro, decorre o importante rito do kanname-sai ("cerimónia da prova"), durante o qual as primícias das colheitas dos cereais são oferecidos à deusa Amaterasu. São também feitas oferendas das primeiras espigas de arroz cultivadas pelo imperador e pelos agricultores das províncias.

A 23 de Novembro, é o dia de Agradecimento pelo Trabalho, com novas ofertas e orações pela prosperidade do Japão.
Feriados

O Ano Novo, em que os fiéis acorrem aos santuários, para a primeira peregrinação do ano

O dia da Fundação da Nação, a 11 de Fevereiro, data tradicional da subida ao trono do primeiro imperador (660 a.C.), em que se ora pelo progresso do império

O dia do Respeito pelas Pessoas Idosas, a 15 de Setembro, em que se apela ao amor e agradecimento aos mais velhos

O aniversário do imperador, actualmente a 23 de Dezembro, em que se ora por ele e pelo país

Outros feriados, todos eles com ritos especiais: os equinócios; o Dia do Respeito pela Natureza (29 de Abril); o Dia da Constituição (3 de Maio); o Dia das Crianças (5 de Maio); o Dia do Desporto (10 de Outubro), o Dia da Cultura (3 de Novembro).

Xintoísmo e ciclo de vida

Os vários momentos da vida humana, muitas vezes ligados a ritos de passagem, são ocasião para realizar um tipo de festas de motivação mais pessoal, realizadas no seio da família. São ocasião de agradecimento, de pedido e de renovação de propósitos para com os kami.
Primeira apresentação no santuário

A primeira apresentação no santuário ou hatsumyia mairi consiste em levar ao santuário local os recém-nascidos para serem apresentados às divindades. No caso dos meninos a apresentação ocorre no trigésimo primeiro dia e nas meninas no trigésimo terceiro dia (embora possam ocorrer variantes locais quanto ao número de dias). No passado era hábito a criança ser levada ao santuário pela avó, porque se considerava que a mãe estava impura por ter dado à luz, mas hoje em dia a criança é muitas vezes levada pela mãe.
Shichigosan

No dia 15 de Novembro as famílias deslocam-se aos santuários com os filhos para agradecer aos kami o fato destes gozarem de saúde e para orar pelo seu crescimento. As crianças que acompanham os pais são os meninos de três e cinco anos e as meninas de três e sete anos. O nome do festival deriva precisamente da idade das crianças: shichi(sete), go (cinco) e san (três).
Celebração da maturidade

A 15 de Janeiro celebra-se a festa da Idade Adulta (Seijin Shiki). Nesse dia os jovens com vinte anos reúnem-se nos santuários para receber uma bênção, embora a festa também possua um carácter estatal, com cerimónias nas prefeituras. A Constituição japonesa atribui a maioridade aos jovens que atingiram os vinte anos.
Outros momentos

votos por um parto fácil: no quinto mês, a mulher grávida coloca no ventre um cinto de tecido branco, purificado, para proteger o feto, e ora pela criança que vai nascer;

as festas chamadas de sekku, que para os meninos é no dia 5 de Abril, em que se estendem estandartes em forma de carpa, se fazem bonecos em figura de guerreiros e se oferecem bolos. Para as meninas, é no dia 3 de Março, em que se colocam bonecas sobre um estrado e se oferecem bebidas, doces e bolos;

a entrada na vida activa, que é ocasião para o jovem agradecer aos kami, comprometendo-se a dar o seu melhor para o serviço da sociedade;

o casamento, que é celebrado numa cerimónia muito solene, na presença de um sacerdote, que inclui oferendas, orações e promessas aos kami, seguindo-se um banquete;

a expulsão das maldições. Certas idades são consideradas nefastas, sujeitas a desgraças: 35, 42 e 61 anos para os homens e 19, 33 e 37 anos para as mulheres. Nessas alturas, um sacerdote realiza um exorcismo próprio e recomenda bastante prudência, pois as dificuldades ameaçam acumular-se;

as festas de longevidade: certos aniversários são comemorados com uma festa familiar e uma visita ao santuário. É o que se faz no 60º, 70º, 77º, 80º, 88º, 90º e 99º aniversários.
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O xintoismo
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